BALELAS: lidar com o passado ou me aceitar do jeito que eu sou.

O ano está acabando, olho em volto e já sinto cheiro de livro velho a muito na estante, e olha que esse ano durou uma eternidade! Vamos fechando as últimas páginas do livro de 2015, com caligrafia feia e corrida como todos os términos de caderno escolar. Então eu quis postar algo aqui bem íntimo, sobre coisas bem pessoais, porque eu senti vontade de partilhar isso com vocês, porque talvez alguém, se identifique e saiba que as coisas podem dar certo. Sentimento que eu tinha escondido no fundo do tapete, mas esses dias dei de cara com eles e achei melhor aceitar a dor e não escondê-los mais, aceitar esse momento da minha vida que me faz sentir tão envergonhada.

Por vários motivos que envolvem não aceitação de mim mesma, baixa autoestima, insegurança, falta de identificação e grande imaginação, eu, desde pequena, inventava histórias sobre quem eu era e porque eu estava na minha família, no começo, claro, era muito fofo, eu era uma princesa que havia sido raptada, eu era uma heroína super importante que estava escondida, isso me fazia se sentir bem, e é super natural, mas eu fui crescendo e ainda não queria ser eu mesma, não me achava legal o bastante, bonita o bastante ou inteligente o bastante para ser interessante, então na minha adolescência eu mentia muito para os meus colegas, professores e até para mim mesma. Inventava histórias de viagens, de passeios, depois sobre garotos, porque eu não me sentia uma pessoa normal, eu não me sentia uma pessoa que merecesse atenção, então novamente para me sentir bem, parte de um grupo, eu inventava histórias, e isso demorou para passar, mais tempo do que deveria. [ tem um nome para isso em psicanálise que chama falso self, mas isso não vem ao caso].

Há vários problemas em mentir o tempo todo: você não faz muitos amigos, porque você não deixa eles te conhecerem de verdade, eles conhecem apenas aquela versão de você mesmo e isso não é o bastante para se manter uma amizade, outro é que você é tão egoísta que acaba não pensando que certas mentiras, no futuro, podem machucar as pessoas que você ama. E, acreditem, isso é devastador.

Depois de muito tempo, eu consegui mostrar quem eu era para a pessoa mais importante na minha vida, na verdade, foi essa pessoa que me mostrou que o que eu era, era bom. Eu não tinha que ser legal e interessante o tempo todo, não precisava ter tido várias experiências anteriores para ser considerada atraente. No começo não foi fácil para mim, porque nunca ninguém me viu do jeito que ele me vê: inteira, com todos os defeitos. Ele conhece meu pior lado e também me mostrou que há muitos lados bons. Na verdade… não há lado nenhum, o bom e o mau está dentro de mim, dentro de uma pessoa só. Provavelmente também não está sendo fácil para ele, mas o amor cura tudo não é? Então, eu acredito que vai dar tudo certo. Está  dando!

Tenho medo, medo o tempo todo. Nos meus piores pesadelos e nos dias mais angustiados eu fico imaginando coisas muito ruins acontecendo comigo e com as pessoas que eu amo, eu tenho medo, vergonha e culpa [por vários motivos que precisam ser trabalhados na terapia], mas o medo, a vergonha e a culpa levam a gente pro lado sombrio,e acho que precisamos ficar no lado da luz. Então, vamos tentar sentir mais a Força dentro da gente e acreditar no nosso potencial, sem mentiras, sem distorções.

“Entregar, Confiar, Aceitar e Agradecer” – Professor Hermógenes

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8 comentários em “BALELAS: lidar com o passado ou me aceitar do jeito que eu sou.

  1. Caramba, Mari. Isso tudo é mais comum que tu imagina. Vivencio estes “medos” há alguns anos. Desde que perdi minha mãe, de uns anos pra cá, tenho pensado em coisas ruins o tempo todo. A nossa mente é traiçoeira.
    Outra coisa que temos em comum, era de mentir sobre garotos. HAHAHAHAH
    Todas as minhas coleguinhas já tinham beijado meninos e eu ainda nada, fui a atrasada, portanto, mentia descaradamente de inventar histórias mesmo! 😡
    Tudo normal. Nós seres humanos somos tão diferentes e tão parecidos.
    Só pense o seguinte: tudo há de melhorar!

    Um beijo e um belo 2016!
    P.s: Fazia um tempo que eu não passava aqui, né? :))

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  2. Lindo texto, Mari! Tenho certeza que não foi fácil se abrir assim, mas pode ficar tranquila. Seu verdadeiro eu (pelo menos o que consigo acompanhar aqui pelo blog) é muito bonito. ☺️ E que sensação maravilhosa é encontrar alguém que faz com que a gente se sinta “a gente”, né? Haha. Beijo, flor!

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  3. Muito bacana seu texto Mari, e é muito bom saber que você conseguiu sair da sua concha para curtir o mundo do jeitinho que você é! A jornada nem sempre é fácil mas o resultado vale a pena!!!! 😀 Já aproveito para te desejar um feliz natal atrasadinho rsrs e um feeeeliz ano novo, cheio de realizações e bençãos! ❤ beijãao

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