DICAS: DOCUMENTÁRIO BIOGRÁFICOS DE CANTORAS ÍNCRÍVEIS

Acho que muita gente já ouviu falar desses dois documentários que vou falar essa semana, mas eles são tão íncríveis e mexeram tanto comigo que não tem como não falar sobre eles. Se você já assistiu, comenta aí sua opinião, se ainda não viu, presta atenção nessa dica:

WHAT HAPPENED, MISS SIMONE? – LIZ GARBUS – 2015

“A vida da cantora, pianista e ativista Nina Simone (1933-2003). Usando gravações inéditas, imagens raras, diários, cartas e entrevistas com pessoas próximas a ela, o documentário faz um retrato de uma das artistas mais incompreendidas de todos os tempos.”

Netflix acertou de novo! Fez esse documentário incrível sobre uma das vozes mais poderosas de todos os tempos. Nina Simone viveu no sul dos EUA em uma época de segregação, onde negros e brancos não poderiam sentar ou comer nos mesmos lugares. Mas ela tinha um objetivo em sua vida: ser a primeira pianista clássica negra mulher norte americana. Mas não importou seu talento e sua determinação, a faculdade simplesmente não a aceitou pela cor da sua pele. Mas ela precisava ganhar dinheiro, começou a tocar e cantar e bares, e logo a paixão pelo jazz e soul tomou conta de sua alma.

Então conheceu seu marido, que a fazia tocar cada vez mais, participar de turnês e dar entrevistas. Apesar de Nina Simone sempre falar o que pensava, até mesmo dando broncas na platéia, em casa tentavam “domá-la”, sim, como a um animal, seu marido, pai de sua única filha, a humilhava, batia e a estrupava, mas seu sentimento de dependência não conseguia fazê-la largar dele.

O documentário cruza entrevistas dela na época de maior sucesso, com apresentações famosas e relatos de pessoas próximas à ela, como a filha, amigos, músicos e membros da família. Uma das partes que mais me emocionou foi quando ela usou sua música para salvar seu povo, ele precisava de algo que a motivasse e encontrou na luta pelos direitos humanos a inspiração para suas músicas mais polêmicas.

Em uma de suas entrevista o repórter pegunta à ela o que é liberdade, pela qual tanto pede em suas músicas e tanto luta. Ela começa dizendo que liberdade é algo como se apaixonar, você não consegue saber o que é até sentir, ainda não satisfeita dispara essa frase:

“Liberdade para mim é não sentir medo!”(Nina Simone)

Realmente ainda não alcançamos nossa liberdade Nina, mas quem sabe um dia!

AMY – ASIF KAPADIA – 2015

“Quatro anos após uma morte prematura, a cantora britânica Amy Winehouse ganha um documentário completo revisitando os momentos mais marcantes de sua carreira. O filme foi produzido por James Gay-Rees e terá direção assinada por Asif Kapadia, ambos responsáveis pelo lançamento de Senna, longa que remontou a história do maior piloto brasileiro da Fórmula 1.”

Esse documentário pesou na alma, sabe! Eu só conhecia Amy Winehouse pelo album “Back to Black”, mas esse foi apenas o último album dela, antes disso Amy também tinha um sonho: ser uma cantora de Jazz, só isso. É um sonho pequeno, porque cantores de jazz canta em pequenos bares, para poucas pessoas, não há fama, fortuna ou sucesso. Logo nos primeiros minutos de documentário, com apenas imagens de entrevistas ou filmes caseiros, apenas mais tarde de papparazzis, Amy diz:

“Eu não sou famosa. E se algum dia eu me tornasse famosa com certeza enlouqueceria.”(Amy Winehouse)

Foi exatamente isso que aconteceu! Amy era uma garota judia, comportade e feliz até os 9 anos de idade, após isso, houve a separação dos pais e ela sentiu que podia fazer qualquer coisa, começar a beber, usar drogas, teve seus primeiros sinais de depressão e bulimia, mas seus pais com medo de dizer não ou de se envolver demais achavam que era apenas uma fase. Mas a fase não passou, pelo contrário aumentou vertiginosamente e quando parecia que nada mais ia adiantar os amigos e sua paixão pela música conseguiram trazê-la de volta.

Mas sua vida teve tantos altos e baixos em tão pouco tempo que ela não conseguia se manter “limpa”, tinha um relacionamento abusivo, era imatura e de repente virou sucesso internacional. Milhares de pessoas sabiam quem ela era e queriam a ouvir cantando. Infelizmente não queriam apenas a “boa Amy”,o lado bom, de música com qualidade e personalidade forte. Queriam também a turbulenta família, a troca de namorados, queriam seu lado negro, de drogas e bebidas, e entrevistas mal-humorada.

Apesar de estar sempre com pessoas a sua volta, Amy era solitária, seu pai queria seu sucesso e seu dinheiro e por mais que ela pedisse, implorasse para que cancelassem as turnês e cuidasse dela, ele dizia que os contratos tinham que ser respeitados e a consequência disso todo nós já vimos. Shows onde ela estava bêbada, esquecia as letras, se recusava a cantar. Do auge de sua carreira e vida: Ganhadora do Grammy e gravação com Tonny Bennet ao seu fim previsto. Amy tinha problemas cardíacos por conta das drogas e da bulimia e sua médica já havia informado que qualquer dose poderia ser fatal.

No documentário percebemos o quão ruim foi a imprensa ficar o tempo todo em cima dela, esperando o tropeço, o rosto em lágrimas e as mãos sangrando.  Sugaram todas as energias de Amy. Sem dúvida esse filme foi sua redenção!

Dois documentários, sobre duas cantoras de jazz, duas compositoras, duas vozes inesquecíveis, duas mulheres incrivelmentes poderosas e guerrreiras, duas mulheres que tinham problemas com relacionamentos abusivos, duas mulheres que fizeram história em sua época, duas mulheres que foram brutalmente atacadas pela mídia, duas mulheres que não tiveram apoio quando mais precisaram. Ao assistir os dois documentários em dias seguidos eu fiquei com a sensação que ambos retratavam a mesma coisa, e infelizmente, é isso mesmo. Tanto Nina quanto Amy acabaram com transtornos psicólogicos por conta de um sucesso repentino e pelo simples fato de que ninguém ouviu seus pedidos de ajuda.

Já viram esses filmes? Gosta de documentários? Comente!

Escrito por:
Mari Bomfim

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5 comentários em “DICAS: DOCUMENTÁRIO BIOGRÁFICOS DE CANTORAS ÍNCRÍVEIS

  1. O documentário, a vida e a carreira de Nina Simone são poderosos. Está tudo traduzido em suas músicas. Sinceramente, acho que mais pessoas deveriam conhecer Nina. A história dessa mulher, na vida pessoal e profissional, carrega muita coisa e ao menos umazinha deve servir de reflexão para cada pessoa nesse mundo!

    Sobre Amy, #ficadica pra não tem Netflix que o Bis está fazendo transmissões esses dias. Vale olhar a programação! Eu acho o documentário maravilhoso e gostei muito de você ter dito que é uma redenção. É mesmo! O que a imprensa e até nós – por que não? – fizemos com Amy, a pressionando, não aconteceu/acontece só com ela. Ainda desconhecemos os limites da fama, sobretudo quando o alvo dela não tem por objetivo de vida ser uma celebridade.

    Duas mulheres incríveis. Duas vozes marcantes. Duas almas antigas. Duas histórias que valem a pena ser conhecidas. 🙂

    Curtido por 1 pessoa

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