BALELAS: QUANDO VOCÊ É SUA PIOR INIMIGA E PORQUE FAZEMOS COMPARAÇÕES OU MENOS CULPA, POR FAVOR!

Ultimamente eu tenho pensado muito sobre isso:

Apesar de ter um discurso onde eu falo para as pessoas que não devíamos nos comparar, que devemos nos aceitar como somos, não devemos seguir os padrões impostos por pessoas que não nos conhece ou que não gostam realmente da gente, eu me pego fazendo exatamente o contrário… e me culpo por isso. Então com esse post eu quero ver se eu consigo entender o porquê disso e gostaria muito que vocês me ajudassem com suas perspectivas e experiências. Vamos lá!

Eu sei que não devíamos seguir um ideal de beleza único, onde só é bonito quem tem tal cor, tal corpo, tal cabelo. Um ideal que muitas vezes não condiz com meu corpo, com meu jeito de se vestir ou com minha personalidade, ou seja, para eu ser aquilo que as “pessoas” consideram bonita, eu tenho que mudar completamente. Como se isso não bastasse ainda vem aquele sentimento de que você tem que querer ser daquele jeito que a sociedade diz, e se esforçar para alcançar isso fazendo tais exercícios, usando tais cremes, tais shampoos, tais loções e sendo feliz fazendo maquiagem básica todo dia logo que acorda, e usando os acessórios e roupas certas, escondendo minhas imperfeições, para que o mundo não me veja como sou, como você é, porque somos erradas, imperfeitas!

Aí vem o outro lado, as pessoas que vão contra toda essa balela de “padrão de beleza”, e que se aceitam como são. Se são acima do peso, se aceitam assim, usam biquini, fazem ensaios sensuais, se amam exatamente como são, se tem cabelos encaracolados, não usam chapinha nunca, se tem pintinhas, tem orgulho delas e gritam aos quatro cantos como é bom se desfazer das prisões do ideal de beleza. Não ligam para o que as pessoas dizem, só se importam com o que as fazem feliz, são independentes, confiantes e super alegres, nada parece atingí-las.

Então venho eu, esse ser que se considera (e tem esse discurso muito bem pregado) como a mulher da segunda situação, mas que por dentro, sozinha em no meu quarto, fico me olhando nos espelho achando que eu deveria ter mais peito, ou que tenho muitas gordurinhas, que se eu fizesse um pouquinho mais de esforço poderia ter um corpo mais bacana. Sou a mulher que compara fotos (não de celebridades, porque sei que é inalcansável), mas de colegas, amigas, “inspirações do instagram” que acho que se veste melhor que eu, que se maqueia melhor que eu, que tem uma pele mais bonita que a minha, que é mais saudável do que eu.

O problema disso tudo está onde? Em mim, claro! Porque raios me comparo tanto se eu sei que esse discurso de beleza ideal não é real, porque não consigo me ver como bonita, desejável e simplesmente, porque não posso ser feliz com o que eu tenho? Porque eu fazer exercícios, ou me alimentar bem, ou me maquiar ou não, tem que ser decidido por alguém de fora e não por mim mesma. Porque não posso me olhar e dizer: “ok, amiga, você não tem barriga zerada, nem está perto de ser um ideal de saúde, mas você consegue! Devagar! Aos pouquinhos! Não precisa ter pressa, não precisa ficar sem comer o que gosta ou fazer exercícios pesados, vamos com calma, você está linda assim, só tem que melhorar por você mesma, se você quiser, por mais ninguém!”  Mas eu não faço isso, e talvez você tambem não! Não fazemos isso porque não nos vemos como amiga, você é sempre sua pior inimiga, sempre se julgando, se sentindo envergonhada, se culpando por não ser como os outros.

A questão é: não tem problema você querer se maquiar aqueles dias que você não quer ver suas pintas ou suas olheiras, não tem problema você seguir pessoas no instagram que te inspirem a comer de forma saudável e fazer exercícios bacanas para que você se sinta mais confiante ou para que sua saúde melhore, não tem problema querer usar salto agulha, aquela roupa de chique e fazer uma super produção para se sentir confiante, não tem problema não querer sair com seus amigos e ficar de pijama, comendo besteira e assistindo Netflix. Você não deve se culpar se não usar protetor solar todo dia, não deve se odiar por ter perdido o dia de treino/ginástica/exercício e compensar pegando pesado no outro dia, não deve se sentir feia por não usar maquiagem e também não deve se sentir influenciável porque comprou aquela marca de cosméticos que todo mundo diz que é incrível!

Você pode muito bem ter vontade de se vestir mais feminina, às vezes, e em outras querer sem mais esporte ou despojada. Você pode ser a garota que super cuida da pele e faz exercícios regularmente e, que nos dias de TPM ou quando você não está legal, coma chocolate o tempo todo e leite condensado de colher! Ou o contrário! Podemos muito bem ser preguiçosa para se maquiar ou não pensar muito sobre o que vai se vestir no trabalho e,  sentir vontade de fazer aquela hidratação no cabelo e comprar um kit de pincéis para fazer maquiagens glamourosas. Gente! Não somos uma única versão de nós mesmas! Podemos fazer o que quisermos, desde que não estejamos fazendo isso por uma pressão externa!

Eu sei, é muito difícil saber exatamente quando é algo imposto e quando é algo que nós queremos por nós mesmos, porque isso tudo já está impregnado na gente! Até hoje, lendo tanto sobre empoderamento e tentando me livrar de tudo aquilo que é nocivo, eu me pego tendo pensamentos machistas ou preconceituosos de alguma forma, e está tudo bem, a gente aprende com nossos erros, é importante que tenhamos mais conhecimento e que vivenciamos mais amor próprio e menos pensamentos de culpa. Muito provavelmente, nós não vamos conseguir mudar o pensamento de uma sociedade inteira para que sejamos mais felizes no mundo lá fora, mas aos pouquinhos, em passos de bebê, podemos mudar sim o nosso pensamento, para se amar mais, se aceitar mais e ser mais feliz do lado de dentro. Conseguindo isso, nos educando para amar nós mesmo, iremos educar as novas gerações para um mundo sem tanta culpa e sem tanto ódio (de si mesmo e dos outros) e aí sim, algum dia, poderemos ser uma sociedade melhor (em todos os sentidos).

Escrito por:
Mari Bomfim

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4 comentários em “BALELAS: QUANDO VOCÊ É SUA PIOR INIMIGA E PORQUE FAZEMOS COMPARAÇÕES OU MENOS CULPA, POR FAVOR!

  1. Que lindo Mari!
    Não tinha visto esse texto teu, mas agora que encontrei, percebi que merecia, e muito, meu comentário e o de um monte de gente!
    Isso reflete o que, acho, a maioria de nós pensa e sente… E acho que a solução é essa mesmo que você falou, em se conhecer mais, se aceitar e se amar do jeito que é, seja lá o que isso for!
    Amei muito!
    Xero

    Curtido por 1 pessoa

  2. Pingback: 30 CONTRA TODAS!

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