BALELAS: CORAGEM DA INFÂNCIA OU MANUAL DE COMO ENFRENTAR MEUS MEDOS

Quando eu era criança, eu era uma menina bem corajosa. Sou a segunda a filha, a do meio, e meu irmão, quatro anos mais velho que eu, tinha medo do escuro, de ir no fundo de casa sozinho a noite, de filmes de terror e tudo mais que muitas crianças teriam. Mas eu não era assim, aliás, eu me esforçava muito para não ser assim. Não vou dizer que não tinha medo de nada, ou que não ficasse receosa de ir no quintal de casa a noite. Tinha, mas fazia de tudo para demonstar que era corajosa. Então enfrentava todos os meus medos infantis e seguia em frente.

Quando somos crianças, por mais subjetivos que sejam nossos medos, eles são mais “concretos”: escuro, bicho papão, fantasma, homem do saco, ficar sozinha, algum pesadelo… medos que são fáceis de superar porque conseguimos encarar de frente. São “reais”, por mais fantasiosos que sejam. Conforme a gente vai crescendo, nossos medos começam a ficar mais díficeis de definir. Eu fui tendo medo de não alcançar as minhas expectativas, ou as expectativas que eu achava que meus pais tinham sobre mim, tinha medo de ter pagar mico, fazer alguma coisa vergonhosa, medo de fracassar, medo de errar, medo de não ser como as pessoas são, medo de me destacar demais, medo de perder as pessoas que eu amo… No fundo, acabei tendo medo de mim mesma, medo do meu próprio medo.

Quem culparemos pelos nossos medos? Ninguém! Porque na verdade é uma mistura de cultura e sociedade, experiências vivídas e do modo como nos vemos, aliás, acho que já chega de arrumar culpado por todas as coisas no mundo. O foco não é esse, o foco é mudar!

Então eu cresci, e de uma criança corajosa que enfrentava dragões, eu me tornei uma adulta insegura, cheia de medo e culpa. Adultos… tsc tsc tsc

Mas, sabe aqueles estalos que dão na nossa cabeça, quando tudo fica claro, aqueles insights? Então, tive um desses (porque estava pensando sobre isso há muito tempo), percebi que, se aquela Mari criança me visse agora, ela estaria confusa. Onde foi que a coragem, algo que eu tinha orgulho na época – porque era mais corajosa que os meninos, que o meu irmão mais velho – onde ela se escondeu?

Eu queria mudar, eu precisava mudar! Estou tomando atitudes mais corajosas (pelo menos para mim), cuidando mais do que sou e do que quero me tornar como pessoa, usando a imaginação e o humor para voltar a ser aquela menina corajosa que esqueci em algum lugar no começo da minha adolescência. Eu tinha orgulho da minha confiança e da minha coragem, sim, geralmente elas andam bem juntas, então provavelmente, é melhor começar achando minha confiança, que a coragem vem de brinde.

Bora pra terapia?!

Escrito por:
Mari Bomfim

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8 comentários em “BALELAS: CORAGEM DA INFÂNCIA OU MANUAL DE COMO ENFRENTAR MEUS MEDOS

  1. Mari, interessante você falar isso de uma maneira bem diferente do que já pensei…
    Lendo seu texto, me identifiquei muito, pois sempre fui muuito medrosa, desde criança. Mas vejo que a maior diferença entre os medos de crianças pros de adulta estão justamente na abstratividade dos medos adultos (neologismo, perdão!). Vejo que tenho medo de coisas que não são reais, e na maioria das vezes, são futuros. E aí que entra o mal desse século: a ansiedade. Somos tão ansiosos que acabamos por ter medo de coisas que só existem na nossa mente, e que na maior parte das vezes, nunca se concretizam.
    Por isso é legal pensar sobre isso e enfrentar o que tememos (como você mesma disse), pra dissipar um pouco que seja dessa ansiedade exagerada que temos, sabe…
    Não sei se fui clara, mas era isso!
    Amei
    Xero

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  2. Inspirador, Mari.
    Quem diria que seria mais fácil enfrentar monstros e dragões, né?! Mas é verdade. Hoje, nossos medos estão relacionados à questões que podem ter um impacto profundo em nossas vidas. Vejo, porém, que as pessoas que chegam longe são as que mais tem coragem de arriscar, de enfrentar cada desafio. Quando a gente é criança, a gente aprende a cair, colocando os braços na frente. Aprende que, de alguns tombos, é mais difícil levantar, que a dor pode durar mais tempo, mas sempre passa… Acho que é mais uma das coisas da infância que precisamos nos lembrar!

    Curtido por 1 pessoa

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