I’m still breathing

Eu chego em casa, passo pelo corredor o mais rápido que eu consigo, digo palavras soltas para não irem atrás de mim, apesar de saber que não iriam de qualquer maneira. Faço bem meu papel. Eles querem acreditar que tudo está bem. Mas não está.

Por dentro, é como se, quando eu chegasse no meu quarto, me fechasse em um casulo e ficasse ali, por um tempo, imóvel, no escuro, recuperando a mim mesma, tentando preencher as lacunas que faltaram ser preenchidas. Tentando me fortalecer por mim mesma, sem falsas ajudas, sem falsidade. Sem mentiras prontas e preocupações rasas.

Fico ali por tempo, que muitas vezes parece milênios. Eu sei que parece tudo muito ruim. E muitas vezes a sensação de desespero tenta tomar conta de mim. Mas eu fiquei a vida inteira fugindo disso, participando das mentiras felizes e esperando que tudo fosse dar certo no final.

Hoje eu não quero esperar até o final para que as coisas deem certo. Porque esse pensamento faz com que eu acredite que agora as coisas não vão ficar bem, fico esperando que tudo dê errado, porque ainda não estamos no final. E não, as coisas não são assim. Quero ficar bem agora. E vou!

Hoje, estou nessa fase bem introspectiva, tentando entender o que realmente me faz bem, o que realmente eu gosto e faz ser aquilo que sou. Construir e manter uma boa autoestima não está sendo uma tarefa fácil. Por anos eu acreditei que era uma garota assim ou assado, mas de repente, vi que tudo aquilo que eu achava de mim mesma era uma construção dos outros, não minha.

Então hoje, com ajuda da terapia, vou me despindo dos rótulos, da culpa e me descobrindo, aos poucos, sem pressa, saboreando cada nova conquista, cada pequeno não, cada vez que eu escolho a mim mesma, em vez dos outros.

Eu sei, parece muito egoísmo, né. Mas quando eu disse isso para minha terapeuta ela simplesmente me olhou e disse: “Quem vai estar com você quando todo mundo for embora? Você mesmo! Você espera que as pessoas te coloquem em primeiro lugar, mas nem você se faz isso! Você tem que se escolher, porque ninguém vai fazer isso por você”.

E é com essas verdades jogadas sem falsidade que eu vou me reerguendo, me reconstruindo, e sabe, estou começando a gostar da pessoa que sorri de volta quando olho no espelho.

PS: Esse texto, como o próprio título denuncia, foi inspirado na música mais maravilhosa de cantar quando você está de saco cheio: “Alive” do novo CD da Sia! Escutem!

Escrito por:
Mari Bomfim

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