DESAFIO CINETOSCÓPIO DO RAFA #18

Olá! Meu nome é Rafael e voltei para dar continuidade ao desafio cinetoscópio dos 30 filmes que estou fazendo aqui  no blog da Mari. O tema de hoje é:

#18 – UM FILME RUIM DE UM DIRETOR BOM

Tem cara que não erra. Kubrick, por exemplo. Não existe um filme ruim do Kubrick. Os primeiros filmes dele são amadores, mas não são ruins. Eyes Wide Shut é um filme ruim se comparado com os outros filmes dele, mas em uma visão geral é um filme mediano. Também nunca vi um filme ruim do Bergman, nem do Kurosawa, nem do Hitchcock. Mas esses caras são faixa preta, são samurais. Alguns diretores atuais também erram muito pouco. Nolan tem feito ótimos filmes, um atrás do outro, e talvez o único dente torto da filmografia do diretor de Inception seja o chatinho Insomnia. Paul Thomas Anderson também tem uma carreira firme e ainda não dirigiu nenhum filme ruim. Scorsese e Tarantino têm carreiras consolidadas e sempre fazem coisa boa.

Em compensação, tem outros que já fizeram tanto filme ruim que você até esquece que eles, um dia, foram bons diretores. Tim Burton, por exemplo. O cara tem dirigido tanta bosta que eu já tenho dúvidas de que ele seja um bom diretor e consiga ainda fazer bons filmes. Parece que ele acha que personagens excêntricos, goticismo e cores diferentes na cinematografia bastam para fazer um bom filme e se esquece da história, do desenvolvimento dos personagens e tudo mais. Quando a forma supera o conteúdo sabe? É uma tragédia. Foi o que aconteceu com o filme que escolhi para falar hoje.

Only God Forgives é um filme de 2013, dirigido pelo dinamarquês Nicolas Winding Refn. A sinopse é a seguinte:

Julian (Gosling) é um britânico que vive em Bangcoc, na Tailândia, e é respeitado no submundo local. Ele e seu irmão Billy administram um clube de boxe tailandês que serve de fachada para traficar drogas a Londres. Quando Billy é assassinado, a mãe dos irmãos, Jenna (Kristin Scott-Thomas), chega para buscar o corpo – e força Julian a procurar o assassino. A trilha o leva até o “Anjo da Vingança”, policial aposentado que conhece tudo na cidade. Líder de uma poderosa organização criminosa, acostumada a ter o que deseja, Jenna ordena que Julian mate o Anjo da Vingança, acerto de contas que deixa um rastro de sangue em meio a vinganças e traições. (Filmow.com)


Parece legal né? Mas não é. É chato pra caralho. O Refn é um bom diretor. Ele dirigiu a boa trilogia Pusher, sobre o submundo do tráfico em Copenhagen; o razoável Valhalla Rising, baseado na mitologia nórdica; o ótimo Bronson, que conta a história de Charles Bronson, criminoso que ficou 30 anos preso em isolamento; e o excelente Drive, filme pelo qual Refn ganhou o prêmio de melhor diretor no Festival de Cannes em 2011. Foi aí que ferrou tudo.


Drive é um filme sobre um motorista caladão que conhece uma vizinha, se apaixona por ela, e faz de tudo para defender a vida dela e do filho. Tudo isso em um filme com um visual neon estilo anos 80 e cenas de ação com muito sangue e violência, além de um protagonista introspectivo e monossilábico. Pronto. Refn achou que isso era suficiente. Um visual neon, um protagonista silencioso e introvertido e muita violência visual. Tem tudo isso em Only God Forgives, mas não tem uma história interessante. Os personagens são rasos, sem carisma e sem motivações convincentes o bastante para fazer o público se interessar. A forma superou o conteúdo e parece que o prêmio em Cannes fez Refn pensar que era um faixa-preta ou samurai. Não é.


Esse ano, o diretor lançou Neon Demon. Ou seja, vem mais neon por aí. A crítica está totalmente negativa em relação ao filme, que foi vaiado em Cannes e só estreia por aqui no final de setembro, mas eu sinceramente espero que Nicolas recupere a boa fase. Eu ainda o considero um bom diretor.

Escrito por:
Rafael Forcassin

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