VAMOS FALAR SOBRE: “BELA, RECATADA, DO LAR”

Como muitos de vocês sabem, esse é um blog “sem tema”, definitivamente não é um blog sobre moda, nem tão pouco um blog literário ou algo do tipo, também não é um blog sobre comportamento, é apenas um blog onde eu escrevo aquilo que eu vejo, faço e gosto, e claro, dou minha opinião sobre as coisas, escrevo como me sinto e, principalmente, desabafo com vocês – e é linda a recepção de todas vocês, obrigada! O blog também não é feminista, pois eu não falo especificamente sobre isso, não tenho bagagem, nem conhecimento para tal, mas como podem perceber em alguns posts, o assunto me interessa e muito! Então eu não podia deixar de lado essa hashtag produzida “inconscientemente” por uma revista de grande circulação.

Porque isso nos incomodou tanto? Porque esses adjetivos nos atingiram bem na boca do estômago? Porque ficamos tão irritadas?

O feminismo não exije que as mulheres usem roupas curtas, que gostem de beber ou se recusem a se depilar (estereótipos típicos e que são ditos de boca cheia por todos aqueles que querem ir contra o movimento), ao contrário, ele deixa a livre escolha: use roupas longas ou curtas, use maquiagem ou cara lavada, saia do trabalho para cuidar dos filhos ou foque no seu emprego, não importa, não importa a sua escolha, o que importa é a liberdade de você fazer o que quiser com seu corpo e sua vida sem se sentir culpada ou julgada pelas pessoas – e isso vale para qualquer gênero e qualquer sexualidade).

Quando você começa a pensar a respeito, é assustador ver a frequência de manchetes e notícias sobre mulheres que tem como o tema o corpo, a roupa, o que tal mulher famosa comprou, onde ela foi, com quem foi, o que fez lá, mas vemos muito pouco falando sobre o trabalho dessas mulheres: o último filme, novela, albúm. Porque não importa, o tema sempre vai ser: “mas você terminou com fulano?” ou “essa música em inspirado em algum ex namorado?”, “que roupa você está usando?”, “você não se importa em mostrar as gordurinhas/celulite/barriga flácida?”, “como você consegue ser mãe e ter uma carreira?”. Perguntas que NUNCA são feitas aos homens famosos.

E então, logo após uma mulher com o mais alto cargo do país ter sido humilhada em todo seu mandato, onde não foi respeitada por ser mulher (sim, pelo fato de ter sido mulher, ninguém escreveu plaquinha ou disse “tchau, querido” para o Collor, por exemplo”), logo após todo esse caos na política, essa revista faz uma reportagem com a futura primeira-dama e a coloca em um pedestal, exaltando essas qualidades: “bela, recatada e do lar” e ainda completa “Que homem de sorte é Michel Temer”. MEU DEUS!

Assusta! Assusta muito ver que as pessoas estão orgulhosas falando com saudosismo da ditadura militar, exaltando torturadores com peito estufado. Me assusta as pessoas terem essa ideologia, essa mulher “bela, racatada e do lar”, que nada mais é que a mulher que não aparece, que não é protagonista, é apoio, aquela que não tem vez nem voz. Desistam! Se vocês não lembram de como era na ditadura ou se não estudaram história o suficiente, o problema é de vocês. Eu não vou me esquecer da ditadura, do holacausto, do apartheid e de qualquer outra cicatriz da nossa história atual. Nós mulheres ainda setimos as pressões de se expor, de lutar para ser quem nós quisermos, ainda são assassinadas muitas mulheres pelo simples fato de serem mulheres, ainda temos que nos provar mais a cada dia para mostrar nossa capacidade e isso, meu amigo, não vai mudar, não nos permitiremos esquecer!

Pelo direito de ser E DE NÃO SER bela, recatada e do lar! Pelo direito de estar a onde eu quiser, fazendo o que eu quiser, com quem eu quiser, na hora que eu bem entender e não ser apontada, julgada ou discriminada por causa do meu gênero!

“Que nada nos defina. Que nada nos sujeite. Que a liberdade seja a nossa própria substância”
(Simone de Beauvoir)

Escrito por:
Mari Bomfim

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VAMOS FALAR SOBRE: ACEITAR A SI MESMO E A CULTURA EM QUE VIVEMOS

Talvez vocês não saibam, mas eu faço ioga. Não, eu não faço ioga numa academia ou templo, sei lá o quê. Faço pelo YouTube como qualquer pessoa de 26 anos,  preguiçosa, que não quer sair de casa ou gastar muito para se exercitar, mas sabe que nessa idade não é muito inteligente ficar sedentária.

Já falei um pouco sobre exercícios sem sair da casa logo no começo do blog.

Enfim, porque estou falando sobre isso? Porque em um dos vídeos que assisti recentemente, a professora de ioga, Pri Leite, fala e faz uma meditação sobre amar a si mesmo e fiquei com vontade de compartilhar com vocês. Ela conta no vídeo que um professor a ensinou que para aprendermos a AMAR, primeiro deveríamos amar as estrelas, porque estão longe e não podem nos machucar, depois as plantas, que são dóceis e sem complicação, então os animais e as pessoas, que interagem e nos põe à prova, só então estaremos pronto para amar a si mesmo, o amor mais difícil e o mais necessário.

Durante a reflexão eu fiquei pensando, porque amar a si mesmo é tão difícil? Porque temos dificuldade de gostarmos da única pessoa que vive e participa 24h conosco. Porque é mais fácil amar uma causa, uma pessoa, um objeto, mas é muito difícil nos amar e lutar pela gente?

Eu tenho uma pequena teoria sobre isso: vivemos numa sociedade em que é muito difícil nos aceitar como nós somos. Se somos magros, temos que ter curvas, se temos curvas, temos que diminuir para não pensarem que somos gordos; não podemos pensar na gente porque vão nos achar egoístas; não podemos ser desapegados das coisas materiais, porque ficaremos desplugado das novidades; não podemos ser muito consumistas porque isso também não é legal. Acabamos nos guiando simplesmente pelo que os outro dizem ou pior, pelo que achamos que as pessoas vão dizer.

Nossos gostos, nossos desgostos, o que achamos certo, o que achamos errados, nossa forma de ver o mundo e a nós mesmo, está tudo baseado na sociedade em que estamos inseridos, quando li o livro “Eu sou Malala” vi o quanto a cultura e a sociedade nos molda, e infelizmente não dá pra sair disso, não dá pra simplesmente se desligar de onde estamos, porque isso não é viável, mas o que podemos fazer é questionar.

Será que eu não sou feliz com meu corpo porque eu não gosto dele ou porque a sociedade está falando que eu tenho que ser algo inatingível?

Será que a forma como eu olho as pessoas a minha volta é realmente o meu olhar ou é o preconceito que vendo sendo repetido toda a minha vida?

“Seja você mesmo/ Aceite-se/ Valorize-se / Perdoe-se / Abençoe-se / Expresse-se / Confie em si / Ame-se / Empodere-se”

Será que eu tenho que fazer faculdade para ser bem sucedido? Será que eu tenho que trabalhar em um escritório ou em um emprego “convencional” para ser bem sucedido? Será que eu preciso ser bem sucedido aos 20?

Será que eu preciso dessa pressa toda para estar “bem de vida”? Será que eu quero esse tipo de “estar bem de vida”?

Esse é um exercício que eu estou fazendo esse ano, desde gostos musicais (Será que realmente esse tipo de música é ruim ou a sociedade que me fala isso?) até coisas mais profundas, como aceitar a mim mesma do jeito que eu sou e, em primeiro lugar, descobrir como eu quero ser, sem ter um modelo perfeito de corpo ideal. Não está sendo fácil, não consigo o tempo todo, mas acho que é um treinamento importante para diminuir as neuras, sabe?

Vamos nos amar mais, vamos ficar mais com que nos valoriza e nos dá força, e não com pessoas que nos colocam para baixo! Vamos fazer exercío por causa da saúde, não para ficar com o corpo photshopado da capa de revista, vamos valorizar os cachos, os lisos, os bagunçados. Vamos dançar, beber, se divertir com os amigos, ficar em casa vendo Netflix sem culpa, vamos ler os livros que temos vontade, ouvir músicas novas, conhecer outras formas, outras culturas. Vamos ouvir mais, ouvir nosso corpo, nosso coração, as pessoas à nossa volta. Vamos viver, vamos questionar!

Vou colocar alguns links de vídeos e textos que falam sobre pensar fora da caixinha, fiquem à vontade para entrar, questionar e refletir!

*mercado de trabalho: opções não óbvias (canal da Jout Jout)

*privilégios para minorias (canal Para Tudo)

*sobre corrupção e a crise brasileira (carta aberta de Mark Manson)

*sobre os padrões de beleza (blog Girls With Style)

Então esse é um convite a reflexão… vamos falar sobre isso? Comente!

 Escrito por:
Mari Bomfim

VAMOS FALAR SOBRE VIOLÊNCIA DE GÊNERO

🆒

Talvez eu seja a chata que fica batendo na mesma tecla, que fica se repetindo, mas algumas coisas acontecem ao nosso redor, o tempo todo, infelizmente, e quando você vê, o pior acontece!

A mulher, desde a antiguidade, foi criada para servir o homem. Ela se submetia a qualquer constrangimentos, violência e abusos, pelo simples fato de ser mulher, há pouco tempo atrás ponderava-se até se a mulher teria uma “alma”. Infelizmente pouca coisa mudou. Vemos leis sendo criadas, vemos pessoas falando na tv, rádio, internet, sobre essas questões “feministas”, que na verdade, são questões humanas. Ninguém deve-se submeter a outra. Ninguém deve ser obrigado a fazer algo que não se sente bem em fazer.

Mas ainda hoje, em 2015, achamos normal uma garota apanhar do pai porque chegou tarde em casa, ou respondeu para ele. Achamos estranho, mas aceitável, uma mulher linda e jovem, estar com um cara que diz para tirar o batom vermelho, aumentar o comprimento da saia, diminuir a maquiagem, e os relacionamentos abusivos continuam em um ciclo que passa de geração para geração, avó, mãe e filha, sofrendo caladas e achando que essa situação é normal. Pior que isso, somos nós, que vemos tudo isso e dizemos que ela está “aceitando” tal situação, que ela poderia dar um basta nisso quando quisesse.

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Somos um país “sem preconceito”, mas humilhamos a presidente do Brasil, por ser mulher, olhamos torto quando a dona da empresa é uma mulher, nos assustamos quando vemos uma mulher fazendo trabalho “pesado”, “masculino”. Continuamos com nossas cabeças pequenas, cheias de preconceito e olhando para nosso próprio umbigo. Enquanto isso, senhoras e senhores, a cada 90 minutos, uma mulher é assinada no Brasil por ser parceiro  ou ex-companheiro.

A psicóloga Daniela, junto com mais dos web designers, criaram um site “Minha Voz” para mulheres que sofreram QUALQUER tipo de violência (física, verbal ou emocional). Não importa o seu gênero, o que você acredita ou o que você faz da vida. Se você vê alguma mulher sendo agredida ou em algum relacionamento abusivo, converse com ela! Se você está se sentindo ameaçada de alguma maneira, procure ajuda agora! Porque talvez, no futuro, seja muito tarde!

Abaixo, o vídeo da Jout Jout sobre relacionamentos abusivos, vale muito a pena ver!

Escrito por:
Mari Bomfim

VAMOS FALAR SOBRE ASSÉDIO – CHEGA DE FIU FIU – THINK OLGA

Quando eu tinha 15 anos, minha mãe finalmente começou deixar eu ir sozinha para minhas aulas de dança (que ficava no centro da cidade). Eu moro numa cidade pequena, interior de São Paulo, eu ia a pé até o local, feliz e contente, me achando super independente. Um dia, quando eu estava chegando lá perto, um senhor de bicicleta me assediou, ele não me tocou, ele não desceu da bicicleta, ele não me impediu de continuar meu caminho. Ele diminuiu a velocidade da bicicleta e começou a falar sobre o meu corpo, sobre partes do meu corpo que nem sequer estavam amostras, falou o que faria com elas, eu abaixei a cabeça, ele se deu por satisfeito e seguiu seu caminho.

Eu me senti a pior pessoa do mundo naquele dia, fiquei com medo, fiquei com nojo, me senti suja, me senti envergonhada, fiz a aula chorando, minhas amigas me consolaram dizendo que também já havia acontecido com elas. Cheguei em casa em prantos e minha mãe disse que era normal, que eu estava ficando mocinha e que tinha que tomar cuidado pra não chamar atenção. Que fique claro aqui que quando eu tinha 15 anos eu tinha acabado de menstruar, ou seja, nem tinha um corpo de mulher ainda, eu parecia e me sentia como uma criança.

Desde esse dia eu comecei a ir para a dança de calça jeans e blusa larga, e me trocava lá na escola. Mas isso não impediu que alguns homens achassem que poderiam “me elogiar”, me chamar de coisas que eu nem tinha ideia do que eram. Depois de um tempo, no mesmo ano, quando estava chegando em casa, realizada e feliz por estar voltando das minhas aulas de dança, o mesmo senhor de bicicleta que mexeu comigo no começo da história, resolveu fazer a mesma coisa, eu sabia que era ele, porque eu decorei o rosto dele, eu não queria que ele soubesse onde era minha casa, eu abaixei a cabeça e fiquei rezando para que ele fosse embora logo, mas dessa vez ele me acompanhou durante dois quarteirões me dizendo coisas horríveis sobre o que faria comigo.

Eu sabia que quando eu chegasse em casa reclamando ninguém faria nada, eu sabia que ninguém poderia fazer nada pra me ajudar, que eu não era a primeira pessoas que estava sofrendo aquele tipo de assédio, nem seria a última. Então eu resolvi que me defenderia, que era melhor eu sofrer qualquer consequência do que continuar sendo humilhada e me sentindo enojada, eu apertei o passo, vi que estava chegando perto de um bar cheio de pessoas, já perto da minha casa, e comecei a gritar contra aquela pessoa, dizendo que ele era um velho safado nojento, que ele tinha que mexer com a mãe dele e pra ele enfiar aquele elogios no lugar mais adequado. Ele ficou claramente assustado, ficou atordoado, viu que os caras do bar (senhores também) se levantaram e foram tirar satisfações com ele, ele apenas ficou repetindo pra eu ficar quieta, que ele estava apenas me elogiando. Nunca mais vi aquele senhor, que provavelmente morava no mesmo bairro que eu, tinha família, tinha filhos, quem sabe, mas achava normal falar do MEU corpo como algo publico.

Essa é a minha história, e eu tenho certeza que, infelizmente, você, mulher também tem a sua. Sei que tive sorte, que muita coisa ruim poderia ter acontecido por eu reagir daquela forma, mas eu sei também que muita coisa ruim poderia ter acontecido se eu também não fizesse nada. Porque para muitas pessoas (homens e mulheres) aquela atitude, daquele homem, era normal.

A Jaqueline Bastos, do blog Eu Insólito [um blog super bacana cheio de bom conteúdo e ótimas dicas], fez uma postagem super bacana sobre a campanha Chega de Fiu Fiu. Achei a ideia tão genial e mexeu tanto comigo que corri pra ler mais e falar aqui também no blog!

Think Olga é um projeto criado em 2013 pela jornalista Juliana Faria, com o intuito de refletir sobre a complexidade das mulheres e nos fazer sentir mais respeitadas e levadas a sério, porque realmente, as coisas continuam meio complicadas, porém um pouco disfarçadas sobre a falsa bandeira da “Igualdade de Gênero”.

“Nossa luta é para que as mulheres possam ter mais escolhas. Nunca menos. Bem como garantir que elas façam suas escolhas de maneira informada e consentida, sem que nunca tenham que pedir desculpas por tais decisões.” (http://thinkolga.com/a-olga/)

Em julho do mesmo ano, Juliana, resolveu criar o movimento “Chega de Fiu Fiu” que mostra que ser assediada em espaço publico não é normal, ou seja, está mais do que na hora de desmistificar essas cantadas e parar com a culpabilização da vítima.

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E não me venha com mimimi de que é apenas um elogio, ou você estava paquerando a garota, ou ela estava vestida de um jeito provocante. O espaço publico é PUBLICO, olha em volta e veja quantas pessoas pegam o transporte, quantas pessoas passam em frente aquele bar ou por aquela rua. Que idade elas tem? Você sabe sobre o que cada pessoa (homem ou mulher) está passando naquele momento?

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Quer saber mais sobre o projeto? Quer saber se você pode ser considera vítima ou agressor? Entre aqui e tire suas dúvidas. Além disso, você pode ler o ebook e ver a cartilha, futuramente o documentário também será lançado. Se ainda sim, você está em dúvida, se o que você acha que é um elogio ou um assédio o que você faz, pense se você gostaria de saber que sua filha, irmã, tia, sobrinha e mãe ouviram/sentiram aquilo que você iria falar/fazer para aquela garota no ônibus, ou da rua, ou na balada.

Juliana deu uma palestra no TED em São Paulo sobre o site. Vale a pena assistir, são apenas 15 minutos.

Vamos falar sobre? Comente!

Escrito por:
Mari Bomfim