30 CONTRA TODAS!

Lembra quando eu disse que eu tenho uma ligação muito forte com livros e filmes sobre a Segunda Guerra Mundial? Então, muita dessa ligação se dá pelo fato que aquilo que foi feito com aquelas pessoas: judeus, comunistas, homossexuais, pobres e doentes, me faz perceber até onde vai um ser humano. Até quanto somos capazes de seguir regras, de achar que não seremos punidos, até que ponto não ligamos para a nossa própria espécie. Mas infelizmente, depois que ouço o caso da Beatriz eu fico chocada com a barbaridade, brutalidade, falta de compaixão e descaso.

Não apenas estupraram coletivamente, como colocaram na internet para se vangloriar sobre isso, sem medo de serem condenados ou punidos, porque provavelmente nunca o foram. Provavelmente os pais deram tudo aquilo que eles queriam, provavelmente eles não aprenderam que mulher é um ser humano igual ao homem. Isso não aconteceu há décadas, isso aconteceu ontem! Continuamos não ensinando aos nossos meninos como tratar as pessoas, continuamos a ensinar as meninas que a culpa é delas! Até quando? Quantas Bias vão precisar ficar com essa marca horrível pro resto da vida?

Todos os dias uma mulher é estuprada! E não sei vocês, mas isso me faz pensar o que me difere da menina que é violentada e eu? NADA! Poderia muito bem ser eu! Poderia muito bem ser você! E não estamos fazendo nada para mudar isso. Continuamos fazendo careta quando se fala em feminismo, continuamos virando a cara e tapando os olhos quando ouvimos aquela amiga falando que o namorado bate nela, ou quando percebemos que alguém muito próximo de nós está em um relacionamento abusivo.

Estupro não é apenas fora de casa, qualquer relação sexual não consentida, seja pelo namorado ou marido, também é considerado estupro! Nada justifica qualquer tipo de abuso, as pessoas que fazem isso não são doentes, são homens, que foram meninos, que entenderam que nessa sociedade ter um pinto é um dádiva divina que faz com que ele possa fazer o que quiser, sem consequências!

Mães ensinem seus filhos a serem gente! Pais, ensinem as suas filhas a NUNCA abaixarem a cabeça! Nunca mais vamos calar!

Escrito por:
Mari Bomfim

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VAMOS FALAR SOBRE: “BELA, RECATADA, DO LAR”

Como muitos de vocês sabem, esse é um blog “sem tema”, definitivamente não é um blog sobre moda, nem tão pouco um blog literário ou algo do tipo, também não é um blog sobre comportamento, é apenas um blog onde eu escrevo aquilo que eu vejo, faço e gosto, e claro, dou minha opinião sobre as coisas, escrevo como me sinto e, principalmente, desabafo com vocês – e é linda a recepção de todas vocês, obrigada! O blog também não é feminista, pois eu não falo especificamente sobre isso, não tenho bagagem, nem conhecimento para tal, mas como podem perceber em alguns posts, o assunto me interessa e muito! Então eu não podia deixar de lado essa hashtag produzida “inconscientemente” por uma revista de grande circulação.

Porque isso nos incomodou tanto? Porque esses adjetivos nos atingiram bem na boca do estômago? Porque ficamos tão irritadas?

O feminismo não exije que as mulheres usem roupas curtas, que gostem de beber ou se recusem a se depilar (estereótipos típicos e que são ditos de boca cheia por todos aqueles que querem ir contra o movimento), ao contrário, ele deixa a livre escolha: use roupas longas ou curtas, use maquiagem ou cara lavada, saia do trabalho para cuidar dos filhos ou foque no seu emprego, não importa, não importa a sua escolha, o que importa é a liberdade de você fazer o que quiser com seu corpo e sua vida sem se sentir culpada ou julgada pelas pessoas – e isso vale para qualquer gênero e qualquer sexualidade).

Quando você começa a pensar a respeito, é assustador ver a frequência de manchetes e notícias sobre mulheres que tem como o tema o corpo, a roupa, o que tal mulher famosa comprou, onde ela foi, com quem foi, o que fez lá, mas vemos muito pouco falando sobre o trabalho dessas mulheres: o último filme, novela, albúm. Porque não importa, o tema sempre vai ser: “mas você terminou com fulano?” ou “essa música em inspirado em algum ex namorado?”, “que roupa você está usando?”, “você não se importa em mostrar as gordurinhas/celulite/barriga flácida?”, “como você consegue ser mãe e ter uma carreira?”. Perguntas que NUNCA são feitas aos homens famosos.

E então, logo após uma mulher com o mais alto cargo do país ter sido humilhada em todo seu mandato, onde não foi respeitada por ser mulher (sim, pelo fato de ter sido mulher, ninguém escreveu plaquinha ou disse “tchau, querido” para o Collor, por exemplo”), logo após todo esse caos na política, essa revista faz uma reportagem com a futura primeira-dama e a coloca em um pedestal, exaltando essas qualidades: “bela, recatada e do lar” e ainda completa “Que homem de sorte é Michel Temer”. MEU DEUS!

Assusta! Assusta muito ver que as pessoas estão orgulhosas falando com saudosismo da ditadura militar, exaltando torturadores com peito estufado. Me assusta as pessoas terem essa ideologia, essa mulher “bela, racatada e do lar”, que nada mais é que a mulher que não aparece, que não é protagonista, é apoio, aquela que não tem vez nem voz. Desistam! Se vocês não lembram de como era na ditadura ou se não estudaram história o suficiente, o problema é de vocês. Eu não vou me esquecer da ditadura, do holacausto, do apartheid e de qualquer outra cicatriz da nossa história atual. Nós mulheres ainda setimos as pressões de se expor, de lutar para ser quem nós quisermos, ainda são assassinadas muitas mulheres pelo simples fato de serem mulheres, ainda temos que nos provar mais a cada dia para mostrar nossa capacidade e isso, meu amigo, não vai mudar, não nos permitiremos esquecer!

Pelo direito de ser E DE NÃO SER bela, recatada e do lar! Pelo direito de estar a onde eu quiser, fazendo o que eu quiser, com quem eu quiser, na hora que eu bem entender e não ser apontada, julgada ou discriminada por causa do meu gênero!

“Que nada nos defina. Que nada nos sujeite. Que a liberdade seja a nossa própria substância”
(Simone de Beauvoir)

Escrito por:
Mari Bomfim

VAMOS FALAR SOBRE: ACEITAR A SI MESMO E A CULTURA EM QUE VIVEMOS

Talvez vocês não saibam, mas eu faço ioga. Não, eu não faço ioga numa academia ou templo, sei lá o quê. Faço pelo YouTube como qualquer pessoa de 26 anos,  preguiçosa, que não quer sair de casa ou gastar muito para se exercitar, mas sabe que nessa idade não é muito inteligente ficar sedentária.

Já falei um pouco sobre exercícios sem sair da casa logo no começo do blog.

Enfim, porque estou falando sobre isso? Porque em um dos vídeos que assisti recentemente, a professora de ioga, Pri Leite, fala e faz uma meditação sobre amar a si mesmo e fiquei com vontade de compartilhar com vocês. Ela conta no vídeo que um professor a ensinou que para aprendermos a AMAR, primeiro deveríamos amar as estrelas, porque estão longe e não podem nos machucar, depois as plantas, que são dóceis e sem complicação, então os animais e as pessoas, que interagem e nos põe à prova, só então estaremos pronto para amar a si mesmo, o amor mais difícil e o mais necessário.

Durante a reflexão eu fiquei pensando, porque amar a si mesmo é tão difícil? Porque temos dificuldade de gostarmos da única pessoa que vive e participa 24h conosco. Porque é mais fácil amar uma causa, uma pessoa, um objeto, mas é muito difícil nos amar e lutar pela gente?

Eu tenho uma pequena teoria sobre isso: vivemos numa sociedade em que é muito difícil nos aceitar como nós somos. Se somos magros, temos que ter curvas, se temos curvas, temos que diminuir para não pensarem que somos gordos; não podemos pensar na gente porque vão nos achar egoístas; não podemos ser desapegados das coisas materiais, porque ficaremos desplugado das novidades; não podemos ser muito consumistas porque isso também não é legal. Acabamos nos guiando simplesmente pelo que os outro dizem ou pior, pelo que achamos que as pessoas vão dizer.

Nossos gostos, nossos desgostos, o que achamos certo, o que achamos errados, nossa forma de ver o mundo e a nós mesmo, está tudo baseado na sociedade em que estamos inseridos, quando li o livro “Eu sou Malala” vi o quanto a cultura e a sociedade nos molda, e infelizmente não dá pra sair disso, não dá pra simplesmente se desligar de onde estamos, porque isso não é viável, mas o que podemos fazer é questionar.

Será que eu não sou feliz com meu corpo porque eu não gosto dele ou porque a sociedade está falando que eu tenho que ser algo inatingível?

Será que a forma como eu olho as pessoas a minha volta é realmente o meu olhar ou é o preconceito que vendo sendo repetido toda a minha vida?

“Seja você mesmo/ Aceite-se/ Valorize-se / Perdoe-se / Abençoe-se / Expresse-se / Confie em si / Ame-se / Empodere-se”

Será que eu tenho que fazer faculdade para ser bem sucedido? Será que eu tenho que trabalhar em um escritório ou em um emprego “convencional” para ser bem sucedido? Será que eu preciso ser bem sucedido aos 20?

Será que eu preciso dessa pressa toda para estar “bem de vida”? Será que eu quero esse tipo de “estar bem de vida”?

Esse é um exercício que eu estou fazendo esse ano, desde gostos musicais (Será que realmente esse tipo de música é ruim ou a sociedade que me fala isso?) até coisas mais profundas, como aceitar a mim mesma do jeito que eu sou e, em primeiro lugar, descobrir como eu quero ser, sem ter um modelo perfeito de corpo ideal. Não está sendo fácil, não consigo o tempo todo, mas acho que é um treinamento importante para diminuir as neuras, sabe?

Vamos nos amar mais, vamos ficar mais com que nos valoriza e nos dá força, e não com pessoas que nos colocam para baixo! Vamos fazer exercío por causa da saúde, não para ficar com o corpo photshopado da capa de revista, vamos valorizar os cachos, os lisos, os bagunçados. Vamos dançar, beber, se divertir com os amigos, ficar em casa vendo Netflix sem culpa, vamos ler os livros que temos vontade, ouvir músicas novas, conhecer outras formas, outras culturas. Vamos ouvir mais, ouvir nosso corpo, nosso coração, as pessoas à nossa volta. Vamos viver, vamos questionar!

Vou colocar alguns links de vídeos e textos que falam sobre pensar fora da caixinha, fiquem à vontade para entrar, questionar e refletir!

*mercado de trabalho: opções não óbvias (canal da Jout Jout)

*privilégios para minorias (canal Para Tudo)

*sobre corrupção e a crise brasileira (carta aberta de Mark Manson)

*sobre os padrões de beleza (blog Girls With Style)

Então esse é um convite a reflexão… vamos falar sobre isso? Comente!

 Escrito por:
Mari Bomfim

VAMOS FALAR SOBRE: TPM

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Imagem: weheartit.com

Existem dois tipos de mulheres: as que tem TPM e as que não tem. Para as que não tem, aqui vai minha admiração e meus parabéns! Vocês são vencedoras na escala evolutiva, as que como eu sofrem com esse mal todo mês (70% das mulheres brasileiras), bora reclamar juntas!

Eu não estou aqui para falar cientificamente como funciona a TPM ou quais hormônios causam o quê. Isso tudo você encontra no Google ou no ginecologista (que diferentemente do primeiro, não fica te apavorando dizendo que qualquer sintoma pode ser gravidez!)

A Tensão Pré-Menstrual é diferente para cada mulher e pode mudar de grau ou intensidade até na mesma mulher, dependendo mês. Apesar de muito comum e até mesmo natural, existem casos que a TPM atrapalha o dia-a-dia da mulher, nesses casos, largue a panela de brigadeiro e vá procurar ajuda médica.

Eu tenho todos os tipos de TPM, e ela dura, geralmente 15 dias, para desespero do meu namorado. Logo que menstruei, comecei a sentir os sintomas, e mesmo tomando anticoncepcional, apesar de alguns sintomas amenizarem, ainda continuo com os sintomas clássicos.

Minha TPM começa quando eu percebo que estou irritada por nada, acordo irritada, qualquer barulho fica chato, coisas que normalmente não me afetariam começam a me deixar estressada. É nesse momento que eu tento me controlar para não ficar cuzona o tempo todo, então geralmente eu fico antisocial, no meu quarto, sozinha, para não criar conflito à toa.

Depois vem a angústia e a tristeza, começo a ter pensamentos ruins de coisas terríveis que podem acontecer, ou então fico extremamente emotiva, cheguei a chorar uma vez assistindo uma propaganda na internet! Nessa fase eu necessito chorar, eu seguro, tento me controlar, mas na verdade chorar me faz ficar aliviada, então, às vezes eu procuro algum filme para assistir que eu sei que vou chorar no final ou desabafo sobre aquilo que está me incomodando e eu finjo que está tudo bem, mas não está, ou ainda, simplesmente, quando eu tento me controlar muito, eu começo a chorar por nada… e tudo ao mesmo tempo (então não sei se nesse caso, segurar é uma boa ideia).

Aí depois vem a carência, sim, fico insegura com meu corpo, sempre acho que o que eu visto está ruim, se tem algum lugar para sair bem nesse dia, meu namorado já sabe que vou demorar para me trocar e provavelmente ele vai ter que dar uma ajuda ali. Fico perguntando se ele me ama, se eu estou bonita, e a parte que a gente precisa ser paparica pessoas! Aprendam isso! Hoje eu namoro, então essa fase eu passo bem melhor, porque meu namorado fica ali dando chamego, me elogiando e me acudindo (ele lida super bem com minha tpm, melhor até que eu). Mas quando eu não namorava, não tinha jeito, por mais moderninha e feminista que eu me achava, nessa fase me sentia feia, achava que ninguém ia gostar de mim… um transtorno!

Essas fases se misturam e ocorrem às vezes tudo num dia só e depois voltam a se repetir, é um ciclo que parece não ter fim. Além disso eu tenho enxaqueca hormonal, ou seja, pra ajudar com tudo isso tem as dores de cabeça. Fora os inchaços (que tenho bem pouco), espinhas, vontades súbitas de comer coisas gordurosas, cólicas, e fico ainda mais desastrada e desatenta (sério, é assustador).

Depois de 10 anos tendo tpm eu acredito que consigo lidar melhor com ela, e percebo que, como qualquer outra coisa, o primeiro passo é aceitar que você tem tpm, que não é apenas mimimi, como muita gente diz. É algo físico, hormonal, que afeta a mulher todo mês. Seu corpo muda para receber um bebê, ou no caso do anticoncepcional, você faz seu cérebro achar  que está sendo preparado para receber um bebê.

Novamente: tpm é comum, mas se alguns dos seus sintomas faz com que você fique muito mal a ponto de te prejudicar no trabalho, nos estudos ou na vida como um todo, procure ajuda médica, existem técnicas, formas e até mesmo medicação para melhorar os sintomas. Mas isso é assunto para um outro post.

Tem tpm? Como você fica naqueles dias? Sua namorada fica assustadora? Comente!

Escrito por:
Mari Bomfim

VAMOS FALAR SOBRE VIOLÊNCIA DE GÊNERO

🆒

Talvez eu seja a chata que fica batendo na mesma tecla, que fica se repetindo, mas algumas coisas acontecem ao nosso redor, o tempo todo, infelizmente, e quando você vê, o pior acontece!

A mulher, desde a antiguidade, foi criada para servir o homem. Ela se submetia a qualquer constrangimentos, violência e abusos, pelo simples fato de ser mulher, há pouco tempo atrás ponderava-se até se a mulher teria uma “alma”. Infelizmente pouca coisa mudou. Vemos leis sendo criadas, vemos pessoas falando na tv, rádio, internet, sobre essas questões “feministas”, que na verdade, são questões humanas. Ninguém deve-se submeter a outra. Ninguém deve ser obrigado a fazer algo que não se sente bem em fazer.

Mas ainda hoje, em 2015, achamos normal uma garota apanhar do pai porque chegou tarde em casa, ou respondeu para ele. Achamos estranho, mas aceitável, uma mulher linda e jovem, estar com um cara que diz para tirar o batom vermelho, aumentar o comprimento da saia, diminuir a maquiagem, e os relacionamentos abusivos continuam em um ciclo que passa de geração para geração, avó, mãe e filha, sofrendo caladas e achando que essa situação é normal. Pior que isso, somos nós, que vemos tudo isso e dizemos que ela está “aceitando” tal situação, que ela poderia dar um basta nisso quando quisesse.

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Somos um país “sem preconceito”, mas humilhamos a presidente do Brasil, por ser mulher, olhamos torto quando a dona da empresa é uma mulher, nos assustamos quando vemos uma mulher fazendo trabalho “pesado”, “masculino”. Continuamos com nossas cabeças pequenas, cheias de preconceito e olhando para nosso próprio umbigo. Enquanto isso, senhoras e senhores, a cada 90 minutos, uma mulher é assinada no Brasil por ser parceiro  ou ex-companheiro.

A psicóloga Daniela, junto com mais dos web designers, criaram um site “Minha Voz” para mulheres que sofreram QUALQUER tipo de violência (física, verbal ou emocional). Não importa o seu gênero, o que você acredita ou o que você faz da vida. Se você vê alguma mulher sendo agredida ou em algum relacionamento abusivo, converse com ela! Se você está se sentindo ameaçada de alguma maneira, procure ajuda agora! Porque talvez, no futuro, seja muito tarde!

Abaixo, o vídeo da Jout Jout sobre relacionamentos abusivos, vale muito a pena ver!

Escrito por:
Mari Bomfim