Os fenômenos da minha natureza

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Lá fora chove.

Hoje foi um dia quente, o sol apareceu tímido, havia vento, mas o ar quente me dava aquela sensação de dia incompleto. O tempo estava abafado, e me lembrei de que, quando mais nova, achava que meu corpo e minha estado de espírito eram influenciados pelo clima e o tempo.

Quando o tempo estava assim, pesado, me sentia angustiada, pesada também, como se todos os sentimentos dentro de mim se encontrassem em uma reunião no meu peito e discutiam sobre a vida, sobre o futuro, como uma reunião da ONU: todos os sentimentos lá, segurando suas verdadeiras formas, se mostravam diplomáticos e alguns até otimistas com meu futuro.

Então poderia ocorrer duas situações: o tempo abria, o sol se fixava determinado mostrando toda a sua grandeza, e eu saía para brincar lá fora também animada e radiante, ou começava a ventar, o tempo fechava de vez e chovia, mas nem por isso me sentia menos viva.

Eu sempre gostei de chuva e de vento, amava e temia, lembro que alguns sonhos/pesadelos frequentes na minha infância eram com tornados ou ventos muito fortes. Chuva e vento para mim era sinônimo de choro, liberdade, por aquele sentimento pra fora, talvez por isso eu o temesse também.

Hoje, com 27 anos nas costas, não coloco mais tanto responsabilidade nos fenômenos da natureza, mas confesso que ainda gosto de olhar o céu, as estrelas e sentir o vento na cara. Eu gosto de pensar em como minha imaginação me ajudou muito na minha infância e fizeram dela algo gostoso de relembrar.

Tem um exercício que as pessoas dizem que é bom fazer: imaginar você voltando para determinados momentos de sua vida e emanar coisas boas para você naquela idade. Por exemplo, se imaginar criança, em um momento difícil, ou que o deixou chateado e se acalentar, dizendo que a gente sobrevive a essas coisas e que tudo vai dar certo no final.

Já fiz muito isso com a minha criança interior, e acho que eu preciso começar a fazer com a Mari adolescente e jovenzita, que foi uma fase um pouco mais árdua para mim, onde a opinião das pessoas sobre mim tinham pesos aterrorizantes e me fazia me sentir sempre em um dia quente e irrespirável.

Agora, já mais adulta [seja lá o que isso signifique], me sinto mais chuva, às vezes forte e determinada, outras vezes calma, serena, mas contínua e fluida. E muito disso se dá por querer me enxergar da melhor maneira possível.

Atualmente vem crescendo uma força interna muito grande em mim, me fazendo ser mais confiante, mais determinada e segura. Nem sempre consigo manter a vibe, às vezes caio, peço colo, mas ter uma pessoa ao seu lado que te fortalece e faz você seguir em frente, faz toda a diferença e sou muito grata por isso.

Lá fora a chuva para e a brisa suave adentra o quarto.

Escrito por:
Mari Bomfim

Dia banal, encomenda não chegou e minha sanidade mental.

Eu sou a prova que uma mente imaginativa e ansiosa podem causar grandes estragos na minha sanidade mental.

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É mais um dia banal, como qualquer outro. Levanto, tomo café, faço exercícios, vou trabalhar. A vida seguia seu curso normalmente, sem sustos, sem grandes ansiedades, mas aí, chego no trabalho, [que ultimamente está sendo um ambiente mais estressante que o normal] e ouço que questionaram minha habilidade.

Eu escuto muito isso, para mim, e na minha profissão é normal ouvir que estou errada, que as coisas não são assim, que eu não estou fazendo isso direito, que deveria haver uma fórmula mais simples e rápida, assim como faz parte eu ter que me provar [muitas vezes para mim mesma] minha capacidade para lidar com os problemas do dia a dia.

Então eu escuto isso, e sigo no trabalho, normalmente, sem grandes ansiedades.

Chego em casa e descubro que uma encomenda que eu estava esperando não chegou, e que a culpa disso foi o fato de não ter prestado atenção na hora de preencher o endereço e acabei errando o número da minha casa.

Falha banal, coisas que acontecem.

O que racionalmente eu deveria fazer? Esperar o outro dia, ligar no correio e ver se a encomenda está lá para eu pegá-la.

O que eu fiz naquele momento? Me deixei levar por um turbilhões do emoções onde eu me sentia fracassada, questionava minha inteligência e capacidade de lidar com coisas simples, e ia além, imaginava um mundo inteiro desmoronando porque eu não consegui pegar essa encomenda e porque me questionaram no trabalho, e porque eu briguei com a minha irmã…

Naquele momento, ele surgiu, sorriu, me abraçou e disse exatamente o que eu precisava ouvir, me deu um puxão de orelha como só ele sabe fazer. Acalmei, entrei nos eixos. Sem crise, fiz o que precisava fazer, e que poderia fazer sem dramas.

Apesar de saber o que eu deveria fazer, minha mente se deixou levar pelas minhas emoções e inseguranças do momento, entrei no furacão em um piscar de olhos e já não sabia mais o que fazer. As coisas acontecem assim comigo e com muitas pessoas, e nem precisamos estar de TPM. Vivemos uma vida de estresse e em uma sociedade que espera que sejamos perfeitos, nós esperamos perfeição de nós mesmo.

Eu tenho a sorte de um amor tranquilo que me ajuda muito a encontrar esse equilíbrio, e friso sempre que não importa quem seja ou o que seja, mas encontre alguém/algo que te dê equilibro e te faça pensar de outra forma.

Que possamos ter equilíbrio e boas histórias para contar!

Escrito por:
Mari Bomfim

O problema de se proteger demais.

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Há algum tempo atrás, eu não conseguiria me imaginar como estou hoje! Eu me protegia demais, não permitia que nada acontecesse comigo, escondia meus sentimentos dos outros e aos poucos fui escondendo de mim mesma, criei a ideia de que eu era uma pessoa durona, forte e que nada me abalava.

Mas era só fachada, e pior, essa fachada não me fazia bem, eu não tinha colo para chorar, porque achavam que eu nunca iria chorar, as pessoas despejavam em mim suas próprias situações e iam embora, porque acreditavam que eu ia lidar bem com aquilo, porque eu era assim!

Quando eu era mais nova eu tinha a ilusão de que se eu me protegesse muito, nada de mal aconteceria comigo, eu nunca seria humilhada, não teria vivências ruins, apenas existiria e já estava me contentando com isso, mas eu percebi que sem experiências eu não conseguiria amadurecer, não mudaria, ficaria sendo aquela mesma pessoa, fazendo as mesmas coisas, lendo os mesmos livros, assistindo os mesmo filmes.

Eu mudei, eu deixei vir as experiências no momento certo, e por sorte, tive a pessoa certa ao meu lado, fui me conhecendo, lapidando e descobrindo que eu posso pedir colo quando quiser, que eu posso dar e receber carinho e me jogar nas mais loucas aventuras. Nem sempre tudo vai dar certo, às vezes aquelas certezas absolutas que guiavam nossa vida caem por terra e você se depara com situações completamente novas que não foi programada para lidar. E aí?

Aí, que se você focar em se proteger, em evitar experiências, você vai perder a oportunidade de crescer, se conhecer e encontrar quem a gente realmente é! Sim, porque somos aquilo que vivemos! Podemos ler coisas profundas, ter conhecimento específico sobre espiritualidade, mas se não colocarmos em prática, se ficarmos apenas enclausurados, então nada sabemos!

Como já dizia Guimarães Rosa: “Viver é muito perigoso… Porque aprender a viver é que é o viver mesmo… Travessia perigosa, mas é a da vida“, sim, viver é complicado, Seu Guimarães, nem sempre a gente acerta, nem sempre a gente tem certeza do que está fazendo, muitas vezes vamos ter que lidar com cara feia e com gente duvidando da gente, mas é melhor viver de verdade, do que ficar vendo a vida passar – que era como eu me sentia antes.

Então, eu sei que é difícil se arriscar! Para muita gente acordar e levantar da cama é um esforço descomunal e se essas são suas dificuldades comece daí, cada um tem sua travessia, sua experiência, nunca se compare a ninguém, se inspire, mas não queira copiar, encontre quem você é e se deixe viver!

Escrito por:
Mari Bomfim

I’m back

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Fiquei um bom tempo sem escrever aqui porque simplesmente não sentia vontade de fazê-lo. Eu não tenho grandes metas, nem objetivos específicos para o blog, eu não quero que ele seja algo grande e nem espero ganhar dinheiro com ele. Ele não é um blog desse tipo [adoro blogs assim, consumo muito esse tipo de blog, mas o Mire na Lua não é para isso].

Então eu fiquei pensando, cá com meus botões, então pra que que ele serve mesmo? Eu criei o blog porque eu sempre gostei de escrever e achei que era hora de mostrar isso para algumas pessoas, falando sobre coisas aleatórias, que eu gosto, como filme, livros, desabafos, portanto o blog é algo para mim mesmo, um hobby, para passar o tempo.

Mas nos últimos dias eu não estava afim de escrever, não aconteceu nada de ruim, pelo contrário, estou muito feliz com tudo, mas escrever ficou meio sem sentido, como se fosse perda de tempo. Por alguns dias perdi o tesão de escrever.

Então eu resolvi não escrever, me permiti ter meu momento sem cobranças sobre o que fazer de agora em diante com o Mire na Lua, e pra ser sincera eu ainda não to muito certa do que vai acontecer, mas eu resolvi, pelo menos por um tempo, voltar com as balelas e me divertir um pouco com isso.

Eu sei que eu não precisaria estar escrevendo tudo isso, mas é mais uma justificativa para mim mesmo, sabe? Enfim, todos os textos serão escritos de forma verdadeira e quando eu estiver com vontade [não que isso não acontecia antes, mas eu meio que me cobrava para sair no dia certo e tudo mais].

Eu meio que penso que tudo isso é alguma coisa boa, sabe. Eu sempre usei “escrever” como uma forma de fugir de algo que estava me incomodando e eu não conseguia resolver, então talvez a diminuição de “balelas” no blog signifique que eu esteja resolvendo as coisas pessoalmente e me sentindo em paz com tudo isso.

Mas porque não escrever quando estou feliz? Ou porque não escrever algo por mim mesma? Porque a gente acha que fazer algo pela gente é egoísmo ou besteira? Não sei! Podemos discutir sobre isso mais tarde, mas o Rafa me fez ver que se é algo que me faz bem, não precisa fazer sentido.

Ele tem razão!

O blog vai continuar!

Escrito por:
Mari Bomfim

A velha conhecida: CULPA

Hoje eu acordei cedo e fui trabalhar, fiquei um pouco nervosa com algumas coisas que aconteceram lá. Antes de chegar em casa, passei no banco, o sol estava forte, passei muito calor, mas consegui chegar bem rápido em casa. Ao chegar em casa, fiquei zangada por ter encontrado uma situação muito ruim e fiquei mal por não conseguir me sentir em casa, na minha própria casa.

Coisas banais e corriqueiras me deixaram cansada e o cansaço me fez chorar, logo cortei o choro, fui me distrair com outra coisa, porque onde é que já se viu chorar por uma besteira dessa? Não há cabimento!

Um pouco mais aliviada, fui correndo para os braços do meu namorado, precisava do seu chamego e de sua atenção, e recebi, mas sabe quando parece que aquele bolo, lá do começo da história ainda não tinha se dissolvido inteiramente? Pois é, de vez em quando vinha um nó na garganta, aos poucos surgiu a grande vilã: Dona Angústia, e fiquei um tanto chata e mal humorada.

Ao chegar em casa vem a velha conhecida, a Sra Culpa que me acompanha desde muito tempo. Eu tento me livrar dela várias vezes, tento o famoso Esquecer ou o Não Pensa Mais Nisso, mas ela vem, meio distante, lá no fundo eu consigo sentí-la, e quando eu paro para olhá-la, ela já está me encarando com seus olhos acusadores.

Me senti culpada por achar que fui uma má namorada, por ter tocado em um assunto que não foi legal, por ter me sentido distante.

Porque fico sempre com essas sensação de que eu fiz algo que estragou tudo? Porque eu sempre acho que coisas ruins vão acontecer? Será que a vida é realmente entre altos e baixos, ela precisar ser uma montanha-russa? Ela não pode ser apenas um minhocão?

Em muitas situações eu já percebo que melhorei no quesito culpa, consigo deixar ela lá de boas, sem mexer com ela, mas em outras não tem jeito, ela aparece… e está tudo bem! Não adiantar ficar culpada por sentir culpa, é muita doideira!

É preciso controlar certos sentimentos que nos fazem mal sim, mas também é correto e natural que algumas coisas saiam do nosso controle, tem dias que a gente não acorda bem, tem dias que a culpa e a angústia vem… e tem dias que é só TPM, e tudo isso faz parte de um simples ser humano! Legal, né?

Escrito por:
Mari Bomfim